Neste terceiro e último post, chegaremos à conclusão quanto à evolução da tecnologia de Cloud Computing.

O termo Cloud Computing foi citado pela primeira vez em uma palestra de Eric Schmitd, CEO da Google, sobre como o Google gerência os recursos de seus datacenters. Recursos esses que possuem uma grande ociosidade.

Um levantamento feito por grandes datacenters demonstrou que o consumo de CPU chega a média de 5%, tendo picos de 15%. 95% do processamento fica ocioso, claro que existem casos como dos servidores Web que esse consumo salta para uma média de 30% a 40%, mas não existem milhares de servidores web espalhados pelos datacenters, aja vista das tecnologias existentes de load balance da F5 (BIGIP-LTM) e de cachê de conteúdo que dão ganhos de performance quanto as operações web.

Daí o pensamento: Por que não podemos vender esses recursos ociosos de nossos datacenters pela Internet ?

Cloud computing é um termo que define na prática o acesso via Internet para um conjunto de recursos computacionais compartilhados e configuráveis (por exemplo, redes, servidores, storage, aplicações e serviços) que podem ser rapidamente configurados com o mínimo de preparo, suporte ou interação com um provedor de serviços.

A SalesForce.com foi uma das primeiras empresas no mundo a ofertar software sem a necessidade de compra da licença, acessando-o pela Internet e pagando pela utilização – Software as a Service – Saas.

Empresas como Amazon e Google começaram a ofertar no mercado via suítes/plataformas aplicacionais a venda de recursos computacionais, como processamento, memória, storage e tráfego de rede – Infrastructure as a Service – Iaas.

Cloud Computing promove disponibilidade, ele é composto por cinco características essenciais, quatro modelos de implementação e uma série de modelos de serviço que são ofertas no mercado/Internet.

As cinco características principais para os serviços de Cloud Computing são:

1.    Serviços On-demand – Disponibilidade imediata de recursos

2.    Estar ao mesmo tempo lugar do mundo.

3.    Conjunto de recursos independente da sua localização.

4.    Escalabilidade com rápido Redimensionamento.

5.    Pago pelo uso exato do recurso. Pay as you use

O mercado estabeleceu até o presente momento 4 modelos de implementação de soluções Cloud Computing:

Private Cloud- Nuvem Privada – os serviços contratados são de uso exclusivo do contratante. Exemplo: A Nasa utiliza tecnologia eucalyptus para sua nuvem privada, o projeto NEBULA, tecnologia essa que é responsável por suporte de todo o seu ambiente de infraestrutura – servidores, links, processamento, memória e storage.

Community Cloud – Nuvem Compartilhada
– os serviços contratados são compartilhados por um grupo de empresas. O governo americano contratou os serviços do Google para os seus órgãos públicos conseguirem compartilhar suas informações rapidamente por um custo bem menor.

Public Cloud – Nuvem Pública – os serviços contratados são ofertados para qualquer pessoa ou empresa que possa pagar, não existe exclusividade quanto a oferta de serviço. O serviço de email do Google, gmail, é compartilhado e utilizado por qualquer um no mundo. Seus usuários utilizam e testam os mesmos recursos gratuitamente. O Google utiliza este serviço para testar os seus produtos e venda de publicidade.

Hybrid Cloud – Nuvem Híbrida – Composto por mais de um serviço de Cloud Computing listado acima. Temos como exemplo o serviço de email corporativo do Google, Gmail Business, que utiliza recursos do gmail público, mas com um SLA mais agressivo e acesso restrito a empresas. O Gmail business custa US$ 25.00 por ano.

Um dado interessante é que o sucesso de várias ofertas de serviços por nuvens privadas. como ofertado pela Amazon, é devido a utilização de soluções opensource – LAMP (Linux, apache, MySql e PHP/Perl, Python), além de soluções com Xen Server, Eucalyptus e Ubuntu Enterprise, já que essas soluções diminuem em muito os custos operacionais e de licenciamento.

Temos uma grande variedade de serviços ofertados em Cloud Computing no mercado, exemplo é o gráfico abaixo:

Temos abaixo um gráfico de como um cliente acessa os seu serviço provido por Cloud Computing:

Veja que o desenho acima é um usuário utilizando uma solução de Cloud Computing sendo gerenciada pela suíte Eucalyptus, suíte opensource que a NASA além de outras empresas vêm utilizada devido a sua similaridade quanto a solução fornecida pela Amazon.com e por ser freeware.

Gráfico Comparando Solução Eucalyptus com Solução Amazon.

A evolução quanto aos datacenters foi primordial para criação deste novo modelo de negócio, Cloud Computing, mas a virtualização possui um papel importantíssimo para continuidade deste serviço, já que várias empresas vêm implementando a virtualização e descobrindo a incrível quantidade de recursos ociosos em sua infraestrutura. Em vez de possuir 300 servidores físicos, agora elas, as empresas, possuem 10 servidores físicos, mas esses servidores possuem dentro deles, mais de 300 máquinas virtuais e ainda recursos ociosos na casa de 50% em alguns dos casos. Tecnologias de alta disponibilidade e balanceamento de carga garantem SLAs agressivos de 99,9%, dependendo da arquitetura utilizada e implementada.

A consolidação de servidores em uma proporção de 15 para 1 e de 20 para 1, graças a virtualização traz economias significativas as empresas, mas existem casos em que os clientes desejam consolidações menores, mas aproveitando os recursos de alta disponibilidade dos ambientes virtuais devido ao seu rápido retorno em caso de desastres.

Temos que destacar as empresas que mais inovam em virtualização hoje no mundo:

VMware, Microsoft, EMC, Citrix, Oracle/Sun, IBM, RedHat e  HyTrust (segurança para virtualização).

No Brasil, temos como os maiores implementadores de soluções virtualizadas:

Triples, Strattus e OST – VMware
4Linux– Xen Server.

As aplicações começam a ser virtualizadas, tendo a preocupação com hardware sendo deixada de lado juntamente com o software. Empresas como a Xenocode, vêm ofertando aplicações que não é mais necessária a instalação para a sua utilização, roda direto do seu browser. Temos a VMware com a implementação de novas tecnologias que permitiram a movimentação “à quente” não só do sistema operacional virtualizado,  mas também a aplicação.

Mas o Google não utiliza virtualização na oferta de seus serviços de Cloud Computing, ele utiliza servidores pequenos montados na estrutura de cluster própria, já apresentado em um post anterior.

A partir de 2008 várias empresas começaram a migrar uma série de serviços de sua infraestrutura para soluções Cloud Computing, tendo em 2009 gerado uma receita de US$ 59 bilhões quanto a utilização de serviços Cloud Computing e uma previsão para 2013 de US$ 150 bilhões. by Gartner.

Essa migração para serviços em Cloud Computing é fato já que diversos estudos apontam a economia de algumas empresas em mais de US$ 50 milhões em 5 anos, devido a forma de cobrança dos serviços em Cloud Computing. Esse cálculo é fácil de chegar, é só pegarmos os custos relativos a licenciamento pagos anualmente, investimentos de hardware que na sua grande maioria são adquiridos de 3 em 3 anos, mão-de-obra, água, luz, ar-condicionado e vários outros. Garanto que o diretor financeiro da sua empresa ou o contador já colocaram isso na ponta do lápis e em uma planilha Excel, e apresentaram essa memória de cálculo ao presidente da sua empresa.

O gráfico abaixo apresenta o comparativo de uma infraestrutura comprada/investida (on-premise) e a mesma infraestrutura sendo utilizada em Cloud Computing:

A diferença é gritante, mas claro que são valores relativos aos EUA, aqui no Brasil algumas empresas ainda estão amadurecendo o serviço. Veja por exemplo que a revista InfoExame do mês de Abril/2010, trouxe um quadro das 6 empresas mais reconhecidas quanto aos serviços de Cloud Computing no Brasil:

1.    Google
2.    Locaweb
3.    IBM
4.    Amazon
5.    Salesforce.com
6.    Alog

Vejam que só existem duas empresas brasileiras nesta lista: Locaweb e Alog.

A preocupação quanto à segurança de soluções ofertadas em Cloud Computing já gerou um post aqui neste blog e ainda me preocupa, pois nenhum órgão criou uma norma ou uma boa prática quanto à criação e o suporte de ambientes em Cloud Computing. O Departamento de Defesa do EUA provê uma série de documentos quanto a segurança de ambientes virtuais, que podem auxiliar empresas e seus administradores.
Saímos da descentralização dos recursos de infraestrutura de datacenters e estamos retornando a centralização, graças a tecnologia como a virtualização e Cloud Computing.

Temos cada vez mais empresas migrando suas soluções de infra-estrutura para soluções de Cloud Computing, onde com a venda de netbooks, IPADs e smartphones trazem uma velha profecia quanto ao fim dos computadores pessoais/desktops. Essa profecia pode se concretizar em menos de 10 anos, depende dos investimentos quanto as tecnologias de acesso Internet, Virtualização e Cloud Computing.

A CA é uma das empresas que mais se movem para as soluções de Cloud computing, vejam as suas últimas aquisições, 3Tera e Nimsoft, os seus softwares de suporte a vendas e ERP são fornecidos pela Salesforce.com.com. O seu time de desenvolvimento utiliza servidores providos pela solução de Cloud Computing da Amazon. Vejo que logo os softwares da própria CA entrarão no modelo Saas, isso é uma questão de tempo.

Amazon, Google, Apple, Yahoo! e Microsoft vêm investindo milhares de dólares na construção de datacenters para suportar as soluções de Cloud Computing pelo mundo, utilizando tecnologias e energia renovais e é claro, a virtualização.

Vale ressaltar que empresas nos EUA, Europa e Ásia estão apostando nas soluções e ofertas de serviços de Cloud Computing para tentar diminuir seus prejuízos e sair da crise que se alastrou pelo ano de 2008, 2009 e ainda em 2010 para os EUA e a Europa.

Artigos anteriores:

DataCenter, Virtualização e Cloud Computing: Evolução – Parte I
DataCenter, Virtualização e Cloud Computing: Evolução – Parte II

fontes: Internet, artigo sobre Cloud computing, revista Forbes, readwriteweb e artigos anteriores