Navegando pelos fóruns, blogs e urls da vida, acabei encontrando este interessante post –  Curso “Hacker” e a moda de “Security Learning”. De forma resumida, o seu ator, no auge dos seus 23 anos muito bem vividos e com larga experiência no mercado de ti e segurança – piada, é claro – desabafa as mazelas de encontrar uma série de cursos focados em como hacker pela internet e posts via facebook.

Suas angústias, problemas financeiros e familiares são descritos com riqueza de detalhes, já que ele, o autor deste post, não encontra o espírito hacker. Mas  espera um momento, que porra de espírito hacker ele deseja encontrar no Brasil ?!?!

Rapaz, antes de mais nada, pegue uma grana e vá dar uma volta pelo vale do silício. Depois, participe de uma edição do Chaos Computer Club. E por fim, dê uma passada no Bsides de Las Vegas. Daí, com essa bagagem internacional e um pouco de visão multi-cultural, vc, jovem “hacker”, poderá entender o que é o espírito hacker.

Vc precisa comparar pessoas, ambientes, estilos de vida para saber o que é um espírito, um norte ou uma forma de viver. Caso contrário, vc está comparando merda com resto de comida. Desculpa, pois para mim é isso q sai, e muito, da comunidade brasileira de segurança da informação

Até concordo com vc, e com o Alan Sanchez, que hoje há 50 moleques vendendo cursos de como hacker o absorvente íntimo da irmã do vizinho por R$ 50,00. E pior, tem nego pagando. Mas isso é motivo de não deixar o cara vender o seu peixe, de tentar vender um pouco daquilo que ele aprender ?

E no final das contas a culpa é de quem, do idiota que vende ou do maluco que compra ?

Para mim, o pior disso tudo isso é assistir a panelinha que o mercado de segurança da informação brasileiro criou com uma série de figurinhas carimbadas em eventos, que mentem descaradamente e atacam, de forma ridícula e descabida, aqueles que não os tratam como deuses. Pior, passam um conhecimento tão pífio, tão básico, que o cara que está assistindo da platéia, por falta de base, acha o máximo.

Coloca este Deus brasileiro para falar no meio de um time de segurança da informação de uma Google ou Facebook da vida para ver o que acontece, e pior, filma a reação do público.

Vc deveria é atacar a panelinha e não a forma como o conhecimento é disseminado.

Rapaz, sou da época que tinha que ler Barsa para fazer trabalha de escola, onde eu não tinha dinheiro para comprar o primeiro volume, assim como milhares de outros estudantes.

Computador era coisa de gente rica. Mesmo assim, trabalhei e comprei o meu. Sendo assim, aproveito, e muito, as facilidades que a tecnologia nos proporciona e assumo, que como muitos outros, tornei-me preguiçoso para uma série de assuntos e temas.

Hoje, graças ao google, youtube e a wikipédia, até a minha avó sabe hackear. E no final, o que isso tem de ruim ?

Para mim nada, e sabe por quê ? Porque qualquer pessoa, desde da mais humildade até a mais rica, com acesso à internet e um computador fuleiro, poderá acessar qualquer tipo de informação, assistir qualquer vídeo ou curso da sua casa ou da rua, e aprender a “hackear”. Este conhecimento não é uma Santo Graal. Ele não pode ser possuído ou controlado por pessoas X ou Y, como é defendido em alguns eventos brasileiros.

Uma nota: Hoje, eu vi um morador de rua, sentando na Av. Paulista, com um notebook, assistindo um vídeo sobre matemática, já que ele estava utilizando o acesso à internet e a energia elétrica do fran’s café.  Foto abaixo comprovando, pois hoje, tudo nesta porra tem que ter prova,né. — agradeça ao facebook e redes sociais.

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E contarei mais sobre este cara. Ele sabe ler, escrever e possui uma capacidade de análise crítica e lógica que muito palestrante de evento conhecido de segurança brasileiro não sonha em ter. Mas mora na rua. Teve os seus problemas e as pessoas passam rindo da cara dele.

Eu, de terno e gravata, ajoelhei e perguntei se ele estava precisando de alguma coisa, pq para mim, ser hacker é isso, ajudar, compartilhar conhecimento, tentar melhorar o sistema, mesmo que vc tenha que burla-lo…

Este morador pode ou não ser um hacker ? Ele precisa fuçar e seguir a sua cartilha ou de qualquer outro zé mané.. ???

Dito isso, retorno para a análise do texto e penso quanto ao paradoxo criado com o link do curso/treinamento http://www.securitytube.net/, o qual o seu criador cobra US$ 39.00 e a frase quem sabe fazer faz, quem não sabe, ensina – a qual vc disse ter vindo do Fernando Mercês, que por acaso começou a carreira dando aula na 4linux, uma conceituada escola de cursos focados em Linux. (confesso que não acredito que o Mercês tenha a dito esta frase).

Rapaz, “hackear” é uma coisa e passar conhecimento é outra totalmente diferente, pois essa última precisa ser possuidor de um dom fora de série. A paciência de mão dadas com a tolerância.

Outro paradoxo – vc só é um hacker se um outro o diz. E isso n eh importante, anyway. Espera, quem de verdade pode ser considerado um hacker e quem pode conceder este título à outra pessoa ?

Que porra é essa, monarquia britânica em que a rainha da Inglaterra concede o título de Sir aos pseudo-merecedores ?

Se for assim, Newton foi um hacker e vc, está longe de ser a unha encravada dele.

O fato é, vc quer/deseja ser um hacker ? Então seja!!

Vc não precisa da aprovação dos outros. Faça o seu melhor, estude, se esforce. Mas nunca se esqueça, o conhecimento é algo maravilhoso, e deve sim ser compartilhado. Daí a necessidade de ensinar.

Está irritado com a vida, com o trabalho, com a namorada ? Eu também estou, mas nem por isso defendo que o conhecimento deve ser controlado por x ou y, que as pessoas são todas babacas e o ego é que fode tudo.

Rapaz, o EGO sempre fodeu e continuará fodendo com a porra toda. Qualquer livro básico de história vai lhe dizer isso. Mas resta a nós mudarmos isso.

Para isso, só basta uma coisa, vc, eu, todos pararem de reclamar e fazer acontecer, mas ensinando aos outros e tendo paciência.