Trabalho com Linux há mais de 12 anos, instalando em meus computadores inicialmente e demonstrando aos meus colegas e chefes. O Linux no Brasi,l era visto como um sistema operacional voltado aos nerds, mas sem muitas esperanças dentro de empresas multinacionais como Telecom, bancos ou indústrias , isso devido à falta do suporte corporativo, onde em caso de problemas, era possível ligar ou culpar alguém.

Dai que em 2002-2003 surge o RedHat Advanced Edtion 2.1, uma distribuição paga (no caso você pagava o direito ao suporte e atualização do produto, isso vale até hoje que eu saiba), foi um marco para mim e para muitos que já trabalham com Linux, já sabíamos da sua capacidade e versatilidade, mas eram proibidos de serem instalados nos servidores devido a tão temida: Falta de Suporte.

Hoje eu chego mais rápido neste raciocínio: Se eu vendo um serviço com um SLA ao meu cliente, preciso ter o mesmo SLA ou melhor junto aos fornecedores da infraestrutura fornecida ao meu cliente, e isso não existia para sistemas operacionais Linux até a RedHat ter criado.

Vários projetos de instalação de ambientes Linux foram executados em paralelo com servidores Windows, Sun e IBM, servidores estes que dominavam os datacenters. Lembro-me da quantidade de freezers rodando Solaris, os servidores 10K e 15K em empresas de Telecom pelo Rio de Janeiro, se você não soubesse mexer em um Solaris, tinha o seu salário bem reduzido.

Dai começamos a instalar e configurar os servidores com RedHat Advanced Edition 2.1, depois de poucas horas e alguns CD`s, tínhamos um servidor Linux prontinho para testes. Logo era percebido a sua velocidade devido ao tempo do boot. A compilação de um HTTP Server Apache em um servidor Linux era no mínimo 2,5x mais rápida que em um servidor Solaris, incluindo SSL e outros módulos, isso sem falar na performance de ambientes JAVA. A BEA havia comprado o JDK Jrockit, versão essa que prometia ser 2x mais rápida que a fornecida pela SUN, mas que em ambientes Linux era até 4x mais rápidas.

Durantes alguns meses, nós tivemos ambientes duplicados com Sun Solaris e Linux, rodando servidores aplicacionais JAVA, já que muitos ainda desconfiavam da performance e do suporte em caso de problemas, mas logo essa desconfiança foi superada e os servidores Sun Solaris, como os Windows e os AIX foram substituídos por Linux, a cada compra de novos servidores nós já planejávamos a instalação de novos ambientes Linux e isso acontece até hoje, onde trabalho em um ambiente que possui mais de 70% dos seus servidores baseados em Linux, restando os 30% divididos entre Windows e Unix(Solaris,AIX e afins).

O vídeo abaixo, de 2009 explica muito bem esse crescimento:

O crescimento quanto a utilização do Linux graças a iniciativa da RedHat gerou uma coisa muito importante no mercado de TI, confiança, confiança essa em produtos e serviços criados por comunidades, e que funcionam e é possível realizar alterações sem pedir permissão; o importante é criar, funcionar, poder alterar e compartilhar. Isso é opensource para mim.

Vários produtos e serviços são utilizados por empresas que trabalham com ambientes em missão críticas, seja Telecom, Bancos, NASA e hospitais. A Microsoft vem correndo atrás do prejuízo, e de anos e anos falando mal do mundo opensource, isso já até virou piada.

O custo de suporte de uma série de operações em TI foi reduzido em mais de 50% com a implementação de sistemas opensource e isso continua a crescer, veja o caso do Cloud Computing, onde grande parte das soluções oferecidas no mercado são suportadas em ambientes Linux, sem falar no Google que roda a quase 100% em Linux.

O Linux veio para ficar e só tende a crescer.

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Este post tem 3 comentários

  1. O uso de software livre em ambientes corporativos tem levado a criação de outras distros para suprir as necessidades de empresas que não querem ficar na mão das comunidades de desenvolvedores, para as quais não podem ligar ou culpar, como bem disse o Gustavo.

    Acho que o Ubuntu, da Canonical, também tem um modelo de negócio bem voltado para atender este tipo de demanda descrito no post.

    “ADORARIA MUDAR O MUNDO, MAS NÃO ME DERAM O CÓDIGO-FONTE”

  2. Vejo essa mudança apontando também as empresas que antes utilizavam plataforma windows para rodar suas aplicações e já vem a algum tempo migrando para Linux. Um exemplo é a CISCO que já trabalhei com Callmanager (versão 4.1) em Windows e as outras versões foram migrando para Linux.

  3. Me lembro muito bem de uma conversa com um desenvolvedor da empresa, dizendo que alguns clientes rejeitavam a ideia do banco de dados ser Firebird (para a aplicação dele) pois é opensource, e que na visão deles (clientes), era “largado”, “sem dono pra reclamar”.

    E gradual a mudança de mentalidade dos empreendedores e a forma como encaram esse mercado rico faz uma alavanca no salto de algumas técnologias.

    Parabéns pelo Blog Gustavo, sempre acompanhando.
    Abraços.

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