Algumas pessoas que acompanham o blog mandaram um link referente a reportagem da Infoexame quanto a necessidade que um profissional de TI tem em possuir ou não um diploma de nível superior para trabalhar em uma empresa de TI no Brasil. Grandes empresas perceberam que um profissional de TI ao sair de uma universidade não encontra-se preparado para o mercado, isso porque as nossas universidades, tanto particulares como públicas, possuem uma grade curricular desatualizada, isso já foi comentado em dois videologs do coruja de ti, um com o Nelson Brito e outro com o Cezar Taurion.

O Brasil não possui centros universitários que preparam os seus alunos para atuarem, assim que formados, em uma empresa multinacional de TI. Daí vem a necessidade de estagiar, o estágio não se presta só para complementar a grade curricular, mas também para preparar um aluno para o mercado para que ele ganhe conhecimento e experiência, e isso é ainda mais necessário devido a desatualização e falta de preparo de muitos professores, que possuem uma série de títulos como Doutorado e Mestrado mas infelizmente estão desatualizados e desconhecem as tecnologias que predominam dentro das grandes empresas e também sobre o dia a dia no competitivo mercado de TI.

Não adianta um professor apenas participar de congressos, palestras ou eventos para que ele possa dizer que está atualizado com o mercado, ele só saberá isso vivenciando o dia a dia de uma companhia. É claro que para toda regra há uma exceção e esta em TI encontra-se na Área de Linguagem de Programação.

Como uma empresa avaliará um jovem profissional baseando-se apenas no seu histórico escolar ?

Complicado né. Daí as empresas, principalmente as de outsourcing de serviços de TI estarem aceitando profissionais que ainda não ingressaram em uma faculdade e só possuem o segundo grau completo ou o técnico. Já citei aqui no blog a minha grata surpresa quanto ao conhecimento técnico adquirido pelas alunas e alunos da federal de SP, na última palesta que ministrei lá, os alunos detinham um conhecimento bem avançado sobre arquitetura de redes, desenvolvimento java e sistemas operacionais, isso porque alguns de seus professores são de mercado, e outros são certificados da Cisco ou Sun. Isso transmite aos alunas e alunas uma vivência de mercado e conhecimento que empresas de TI buscam, acredito que estes alunos assim que formados não terão problema algum para ingressar no mercado de trabalho com bons salários.

Empresas de outsourcing de serviços TI desejam que os seus profissionais tenham a capacidade de resolver os problemas de seus clientes de uma forma rápida, simples e barata. Vocês realmente acreditam que uma faculdade, nos moldes dos dias de hoje, ensinará a um aluno como fazer troubleshooting de um servidor apache, de um roteador ou como configurar um firewall ? São poucos os centros acadêmicos que preparam o aluno para resolver estes tipos de problemas, e isso vem do professor, é ele o grande responsável por disseminar este conhecimento.

O ensino brasileiro atualmente é feito para nivelar o conhecimento dos alunos, coisa que sou totalmente contra, se um aluno ingressa em uma universidade com conhecimentos avançados de programação ou redes, conhecimentos estes superiores aos de seus professores, por que não utilizar este aluno como monitor ou professor auxiliar ? As aulas ministradas por este aluno poderiam ser transformadas em horas descontadas da sua grade curricular. Na H2HC eu vi uma série de professores espantados com a capacidade técnica de diversos jovens, entre os seus 15 anos e 22 anos.

Como um professor iria ministrar uma aula sobre Camada OSI se o aluno já desenvolveu um exploit DDoS voltada a aplicação ?!

Empresas que ainda utilizam a forma de contratação da geração X, aqueles nascidos antes da década de 80, possuem problemas de rotatividade já que não utilizam a meritocracia e tendem a bonificar ou promover profissionais técnicos por eles terem adquirido mais um diploma ou título de Pós-graduação ou MBA.

Em grandes empresas de TI de Outsourcing as certificações são mais bem avaliadas do que diplomas, pelo menos o profissional detêm algum conhecimento sobre aquela determinada tecnologia e certificação dará a empresa a capacidade de ingressar em licitações e concorrências.

Eu particularmente acho muito difícil classificar um profissional pela universidade que ele estudou e pelas suas notas, se fosse assim, todo mundo que fez uma faculdade considerada de primeira linha como ITA, USP, Unicamp, Havard e MIT seriam necessariamente os melhores, mas sabemos que nem sempre é assim. Em TI o que importa é o conhecimento que aquele profissional possui, não importando da onde ele veio.

Caso você esteja no dilema de entrar em uma faculdade particular para conquistar o seu Bacharelado, coloque na ponta do lápis os gastos com a mensalidade e afins que você terá neste curso, depois compare os valores caso você curse uma formação de tecnólogo e o dinheiro que irá sobrar e poderá ser investido em cursos técnicos e certificações, é uma dica.

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Este post tem 8 comentários

  1. Falo como aluno da USP que sou.

    A coisa mais problemática q

  2. Sem querer apertei tab e enter, peço que delete o comentário Gustavo. O post vai abaixo.

    Falo como aluno da USP que sou e como alguém que trabalha com infra e já trabalhou como desenvolvedor.

    O maior problema que encontro em alguns profissionais, tanto os formados em universidades públicas quanto particulares é a falta de domínio do básico.

    Conheço gente que trabalha como admins que não manjam das bases de sistemas Unix, gente que trabalha com redes que não manjam das bases dos protocolos de rede e onde aplicar cada um. Ou pior gente que conhece só uma solução, sabe fazer uma VPN com um equipamento Cisco, mas se for necessário não consegue configurar o Racoon para isso, ou gente que tem certificação Red Hat mas se colocar um Debian na frente dele ele não consegue explorar várias funcionalidades do sistema (acredite eu já encontrei um desses). Claro que cada empresa tem suas ferramentas preferidas, mas dominar a ferramenta e não saber fazer essa ponte entre teoria e o uso que você tem da ferramenta é indescupável.

    No caso do desenvolvimento a coisa é pior, tem gente no mercado que não entende lhufas de estrutura de dados ou sobre os vários paradigmas de programação, já ouvi casos de gente que não conseguia fazer uma análise de algoritmos em cima de um algoritmo simples de busca de strings e como ele se comparava a outro algoritmo mais eficiente. Pior por vezes o camarada se foca em apenas uma linguagem de programação, eu tendo a não respeitar muitos desenvolvedores que não tentam aprender outras linguagens além daquela que paga o salário dele. O curso de ciências de computação da USP foca forte em ensinar um básico disso aos alunos e faze-los tentar andar com próprios pés assim que saírem da universidade, algumas particulares eu vi que fazem isso também.

    Deve existir casos iguais para área de banco de dados (conheço quem se gaba de ganhar a vida como um DBA Oracle, mas o cara não explora nada além disso) mas não conheço bem a área.

    São para mim essas coisas que devem ser dominadas por um profissional, e isso falta não só no mercado brasileiro, mas em todos.

    Discordo apenas do seu ponto de que alguém deve vir pronto, entrar na empresa e em 2 meses ser um membro produtivo da equipe, essa é uma ladainha que as empresas vendem. Isso não existe, as melhores empresas no mercado de infra não trabalham assim, eu sei que o Google, não exige que você saiba configurar um firewall, mas exige que você conheça as causas pelas quais um router é necessário, sei que nem todo mundo vai trabalhar num Google, mas acho que temos que trabalhar pra mostrar bem claro pra administradores que apenas dominar um produto ou uma ferramenta não é dominar a área por completo.

    É bem comum você ver anúncios de vagas que pedem experiência em várias coisas, pra mim esse tipo de anúncio é fora da realidade. A IBM do Taurion por vezes tem vagas pra programadores mainframe que exigem que o cabra tenha 5 anos de experiência profissional com Cobol em mainframes, esse tipo de vaga fica aberta por muito tempo, no passado parecia que a IBM não se tocava de que um mainframe é um equipamento caro e não é o tipo de equipamento que a maioria das pessoas com 20 e poucos anos já ouviu falar, quanto mais ter 5 anos como programador na plataforma, recentemente a IBM criou o concurso mainframe pra sanar isso.

    Já vi vagas para recém formados pedindo experiência em sistemas de passagens de mensagens e filas de espera, coisas de sistema de grande porte que a maioria não vê na maioria dos estágios por aí, esse tipo de coisa pra mim mostra como a empresa vê o funcionário, alguém que eles não gastam muito e nem perdem tempo com treinamento e que de preferência manje de tudo.

    Acho que meu post está meio desconexo, tenho de trabalhar, acabo por aqui.

  3. Por este e outros motivos optei por fazer um curso tecnólogo e não me arrependo. É um curso voltado para capacitação de profissionais visando capacitar os mesmo para o mercado de trabalho.

    Bom post Gustavo!

  4. Essa questão da formação dá “pano pra manga”.. e como!
    é um dilema, faculades desatualizadas, vagas que querem todo tipo de experiencia e conhecimento em um unico cara, remuneração aquem, mas é assim, debatendo aqui e ali que vamos melhorando.

    Particularmente dou mto valor aos cursos tecnologos, são focadas em areas com demanda e falta de profissionais, preparam o camarada para atuar, conhecer a base e ter uma visão dos produtos e fornecedores do mercado.

    Graduações mais tradicionais tem uam base ampla e sólida, mas realmente tem menos afinidade com as soluções do mercado, vejo isso com cuidado…

  5. Gustavo, otimo post.
    Assim fico mais tranquilo, pois ainda não tenho o tal do canudo, mais tenho 6 anos no mercado de TI já.
    Nesse momento estou me focando em Certificações e INGLES (fundamental) acho que esse é o caminho né?
    Depois mais tarde irei me preocupar com a Faculdade.

    Valeu…

  6. É por essas e outras, prefiro investir massivamente meu rico dinheirinho em certificações e idiomas. Tem dado certo até hoje, pode ser que precise mudar, e se precisar mudar de tática e entrar em uma faculdade eu entro.

  7. Ricardo, o seu ponto de vista é válido e o entendi. A verdade, as empresas só se preocupam com o lucro, não importa se o profissional estudou no MIT ou na escola da tia joaninha. A Google começou a ter problemas em achar profissionais capacitados para operarem as suas operações. Ela está crescendo rápido, mas não tem gente se formando rapidamente.

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