DataCenter, Virtualização e Cloud Computing: Evolução – Parte I

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Este post será dividido em 3 partes com o objetivo de apresentar a evolução das tecnologias mais comentadas no momento – Datacenter, Virtualização e Cloud Computing.

Na década de 90 os CPDs (centro de processamento de dados) e hoje, datacenters, passaram por uma grande transformação devido a evolução dos servidores de baixa plataforma x86, várias empresas e principalmente bancos tinham diversos projetos com o objetivo de aposentar o mainframe e migrar todos os sistemas para linguagem de baixa plataforma como o DELPHI – a linguagem de programação java foi uma vedete, onde programador java era contratado como penca de bananas – há 3 anos eu vejo uma mudança no mercado quanto a isso, devido a utilização de novas linguagens de programação como Ruby, Perl, PHP, Python entre outras.

Também na década de 90 ocorreu uma grande mudança, a IBM mudou o seu core business(foco de negócio), fechando uma série de fábricas de construção de mainframe e passando a vender serviços – consultoria, tanto é que a IBM hoje é a maior empresa de prestação de serviços de TI do mundo, contendo 399.409 funcionários (Wolfram|Alpha), mais de 90% de suas receitas anuais que pairam na casa dos bilhões de dólares, vêm da prestação de serviços de TI. Essa mudança abriu as portas para uma série de empresas e segmentos, exemplo a Intel, AMD, DELL, HP e é claro, a Microsoft.

Soluções para baixa plataforma eram fornecidas para as empresas que desejavam migrar dos grandes, custosos e poderosos mainframes para servidores x86, mais baratos, escalonáveis e com uma performance que atendia a demanda desejada – mas ocorreram problemas, já que diversos bancos e outras empresas que utilizavam mainframes há anos tiveram sérios problemas de performance com a baixa plataforma, deixando assim a migração de mainframe para baixa plataforma de lado e seus mainframes continuam a reinar em seus datacenters até hoje.

O termo descentralização nunca foi tão empregado como no período descrito acima, várias empresas compravam milhares de servidores x86, construindo centenas de datacenters para suportá-los. Administradores e analistas de suporte eram contratados de acordo com a quantidade de servidores, em média uma administrador para cada 25 servidores Windows ou Unix/Linux.

A criação de camadas de servidores dentro de um datacenter foi uma prática criada neste período e é utilizada até hoje – camada de redes, camada de servidores web, camada de servidores aplicações, camada de servidores de banco de dados e afins.

Servidores Distribuídos em Camadas.

A definição de Datacenter  como um pre?dio inteligente, dotado de mecanismos para seguranc?a de acesso, detecc?a?o preventiva e combate a situac?a?o de riscos, com objetivo de manter um ambiente propi?cio a? hospedagem de equipamentos que compo?em a infra-estrutura de tecnologia da informac?a?o, necessita ser construído de acordo com normas internacionais, onde a norma mais empregada é a TIA 942.

A norma TIA 942 define 4 ni?veis, denominados Tiers (camadas) os quais correspondem a uma classificac?a?o progressiva de disponibilidade da infra-estrutura de um datacenter. Os Tiers foram originalmente definidos pelo Uptime Institute e correspondem aos seguintes ni?veis de classificac?a?o de riscos:

TIER 1: Ba?sico
Suscepti?vel a interrupc?o?es planejadas ou na?o planejadas. Erros operacionais ou falhas esponta?neas da infra-estrutura do site podem provocar a interrupc?a?o dos servic?os. Permite uma indisponibilidade (downtime, ou seja, tempo que uma aplicac?a?o ou sistema permanece indisponi?vel para utilizac?a?o) anual ma?ximo de ate? 28,8 horas.

TIER 2: Componentes Redundantes
Em face da redunda?ncia nos equipamentos, esta categoria e? menos suscepti?vel a falhas. O ambiente possui piso elevado e planejamento N+1 (“Need plus one”). A distribuic?a?o de circuitos na?o e? redundante. Permite uma indisponibilidade (downtime) anual ma?ximo de ate? 22 horas.

TIER 3: Manutenc?a?o Concorrente
Permite atividades planejadas de manutenc?a?o sem a necessidade de interrupc?a?o dos servic?os. Permite uma indisponibilidade (downtime) anual ma?ximo de ate? 1,6 horas.

TIER 4: Tolerante a Falhas
Ale?m de possuir infra-estrutura e capacidade para operar sob qualquer tipo de ac?a?o de manutenc?a?o programada, o ambiente e? tambe?m tolerante a falhas, garantindo o fornecimento de recursos de energia ele?trica, ar condicionado, mesmo durante a ocorre?ncia de pior caso intempestivo (enchentes, falta de energia ele?trica, falta de a?gua, queda de pequenas aeronaves, etc.). Permite uma indisponibilidade (downtime) anual ma?ximo de ate? 0,4 horas.

Estrutura de DataCenter Apresentada pela Norma TIA 942.

A sobreposição dos Tiers de um DataCenter seguindo a TIA 942.

Temos hoje no Brasil bancos como o Brasdeco, Itaú e Banco do Brasil que possuem seus datacenters na categoria Tier 4. Autoridades certificadores como Serasa/Experian e Certisign também possuem seus datacenters nessa categoria, Tier 4.

Hoje, datacenters buscam a certificação SAS tipo II que é uma regulamentação norte-americana complementar à lei Sarbannes-Oxley e aplicada às prestadoras de serviços de TI, com objetivo de garantir controles eficazes destas instituições. Para obter esse certificado é necessário contratar uma auditoria independente, como a KPMG, credenciada pelos órgãos dos Estados Unidos. Essa auditoria é que vai checar os procedimentos de controle e gerenciamento, segurança física e lógica, “change management“, monitoramento de rede e sistemas. A auditoria verifica a existência dos controles e eficácia. Atualmente, o SAS 70 é reconhecido internacionalmente e obrigatório para toda empresa de TI cujos clientes possuam ações na Bolsa de Nova York. Exemplo foi a Alog que conseguiu a sua certificação SAS 70 tipo II no início do ano de 2010.

Hoje já conseguimos colocar datacenter com mais de 2500 servidores dentro de um único container graças as novas tecnologias de hardware e software desenvolvidas nestas últimas duas décadas. Reaproveitando espaços ociosos e gerando escalabilidade, exemplo é a estrutura de datacenters modulares da SUN/Oracle, SUN Black Box.

SUN BLACKBOX

Estrutura Sun BlackBox

Uma das maiores preocupações em todo mundo é com o aquecimento global, preocupação essa que tem gerado uma série de iniciativas e leis com o objetivo de diminuir a emissão de gases poluentes em nossas atmosfera. Na Califórnia existe um controle rígido quanto ao consumo de energia elétrica pelas várias empresas de TI e seus datacenters localizadas no vale do silício, chegando a um tipo de racionamento.

Devido a esse controle, vários datacenters estão sendo construídos em estados como o Texas que possuem energia em abundância e controles não tão rígidos quanto ao consumo de energia, a Telx por exemplo, construiu mais datacenters em Dallas, Texas e em NYC/NY, veja foto abaixo:

Já temos várias empresas como a Microsoft, Google e Amazon montando Green Datacenters com reaproveitamento de materiais e energia.

O vídeo abaixo apresenta um tour no Green Datacenter do Google:

Termino este post focando em Datacenters. O próximo post será sobre a evolução da virtualização.

fonte: artigo acadêmico, baquete.com.br, wikipedia.org e Internet.

Veja a continuação deste post: DataCenter, Virtualização e Cloud Computing: Evolução – Parte II

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