É engraçado você ver as incríveis e fantásticas soluções que os desenvolvedores apresentam para qualquer tipo de problema. Frases do tipo: “É só seguir a modelagem que você resolve esse tipo de problema” ou “Com JAVA, eu consigo fazer qualquer coisa” são ditas por aqueles que se tivessem o código fonte do universo colocariam um buraco negro na Argentina.

O fato é que desenvolvedores não são ensinados a entender o problema, pensar em uma solução e depois testá-la para ver se aquilo funcionou. Eles defendem um ideal, uma metodologia e uma linguagem de programação, e pronto. Todo o resto não importa. Tudo aquilo que ele desenvolve é perfeito, se der errado, é problema do legado ou da infra ou do banco de dados. Não param para pensar que se há um código, há uma forma de melhorá-lo, torná-lo mais simples e funcional. São raros os desenvolvedores que chegam neste nível de maturidade, e quando chegam, conseguem o santo graal – Arquiteto. Vejam que tirar uma certificação de arquitetura JAVA não garante o título de arquiteto. Você não o compra com um prova, mas sim o conquista e isso leva anos.

Conheço excelentes desenvolvedores que com o tempo aprenderam que codar não é o simples fato de abrir o eclipse e vomitar código. O cara tem que entender 3 coisas:

  • Qual é o problema ?
  • Qual é a solução ?
  • e se a solução que ele criou resolverá o problema sem causar um novo problema ?

Todo desenvolvedor deveria passar alguns anos estudando infra, o básico. Sobre TCP/IP, gerenciamento de memória, Threads(são poucos os que sabem como é o seu funcionamento) e sistemas operacionais.

Para você explicar à um desenvolvedor que o telnet não testa uma conexão UDP é necessário bastante tempo.

Parece estúpida a terceira frase acima (e se a solução que ele criou resolverá o problema sem causar um novo problema ?), mas no meu dia a dia vejo isso acontecer várias vezes. É o desenvolvimento voltado a gambiarra, e todo o desenvolvedor sabe disso e gosta de fazê-lo. Bem na verdade é que não há uma metodologia a ser seguida pelos desenvolvedores porque cada um pensa de uma forma e acredita em uma determinada tecnologia ou ideal.

Alguns dirão que estou falando bobagem, mas dê uma passada em uma fábrica de software, com centenas ou milhares de desenvolvedores e peça um programa simples, com as especificações bem explicadas e com o escopo definido. Você verá cada coisa.

Precisamos de desenvolvedores, mas não de Deuses.

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Este post tem 3 comentários

  1. Concordo plenamente.
    Tem uma galera grande que se preocupa em “aprender a fazer” e não “como acontece?”.

  2. Sou desenvolvedor, e comcordo plenamente com o texto.
    Já passei por algumas situações parecidas aqui na empresa que trabalho, principalmente quanto ao conhecer sistemas operacionais, arquitetura de computadores e coisas a fins. Estudo muito essas partes, pois acredito que se não sei como a minah ferramenta de trabalho funciona, não tenho capacidade de tirar o proveito máximo dela. Porém, vários colegas desenvolvedores vem me dizer “pq vc ta lendo isso, coisa de louco”.

    Ja tive várias recompensas por estudar estas chamadas “coisas de louco”, se pega no periodo de um ano, tês “zicas” no sistema que não ninguem entendia o motivo, dei a solução usando essas conhecimentos.

    Os três pontos citados são chave. Qual o problema, qual a solução e qual o impacto. Mas são em muitas vezes ignorados, Utilizar a metodologia “Go Horse” é mais fácil.

    Nem tudo se resume a simplesmente fazer, é necessário o planejamento e preparação. Já dizia Lincoln “Se eu tivesse apenas uma hora para cortar uma árvore, eu usaria os primeiros quarenta e cinco minutos afiando meu machado.”

  3. Sou dev e achei o post PERFEITO.

    Vejo que vários colegas não possuem uma base básica do conhecimento da própria ferramenta de trabalho, vão na base do “funcionou, entregou!”.

    A terceira frase não soa tão absurda para quem trabalha na área. Pelo menos aonde eu trabalho, as soluções de bug geralmente são discutidas com alguém experiente para que não ajam surpresas desagradáveis numa possível manutenção futura e, nossa, como eu vejo coisas bizarras. O cara não entende o que aquela linha está fazendo, comenta, faz alguma gambi pra funcionar para aquele cenário específico e dane-se o mundo.

    E olha que eu nem comentei dos que acreditam serem os pais do Java/C#…

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