Tenho participado de alguns projetos de migração de serviços e servidores para Cloud Computing, tudo em prol da escalabilidade e da redução de custos, ponto esse mais do que exaurido por centenas de executivos. Mas o interessante é que há casos em que soluções providas via Cloud ficam mais caras do que a contratação de serviços hospedados ou dedicados, porém, muitos executivos sofreram uma verdadeira lavagem cerebral de diversas empresas, em minha opinião, que prometem mundos e fundos com Cloud, esquecendo simplesmente de fazer uma planilha em excel para comparar os preços — muitos chamam isso de efeito Gartner, que é a capacidade que um relatório ou o difundido quadrante mágico tem de persuadir, e até mesmo levar ao erro, grandes empresas e seus executivos.

Depois de algum tempo trabalhando nestes projetos percebi que  Cloud Computing se aplica aos seguintes cenários:

  • Contratação de uma infraestrutura com data de início e fim a qual será utilizada para o desenvolvimento de um projeto, e importante, com um dimensionamento máximo de 20 servidores. Um número maior de servidores inviabilizará financeiramente o serviço de Iaas contrato.
  • Como serviço de e-mail corporativo, mas temos que entender bem algumas regras e premissas. Aconselho terminantemente a leitura do o excelente artigo do Paulo Pagliusi sobre Correio Eletrônico na Nuvem, onde ouso e dar alguns pitacos no final deste post.. 🙂
  • Como solução de Disaster & Recovery, como já comentado em algumas conversas com o Jeferson D´Addario, da Daryus Strategic Risk Consulting. É inegável o baixo custo quanto a utilização de um site backup hospedado em Cloud, onde ele só será utilizado para sincronismo de ambientes, realização de testes e no momento do desastre – não vejo opção melhor para um site backup do que cloud.
  • Como mitigação de ataques DDoS Syn-flood, e por que este tipo de ataque ?, simples, porque empresas como Amazon deixam claro que você não será cobrado neste tipo de ataque, mas se for originado por uma botnet, aí a coisa muda de figura, mas até mesmo no caso de ataques sofridos via botnet há exceções – o que é mais caro, um portal que gera um faturamento diário de R$ 1 milhão dia ficar fora do ar ou pagar US$ 45.000 para tê-lo funcionando por 24 horas na Amazon ?
  • Serviços de anti-SPAM – funcionam, mas desde que você tenha um SLA de acordo com as suas necessidades, além de um funcionário para monitorar a console de gerenciamento da solução para ver se ela não está jogando os e-mails do presidente na lista restritiva – isso já aconteceu comigo.
  • Para empresas embrionárias ou com pouco fluxo de caixa para gastar com hardware, mas que terão que repensar em sua infra quando entrarem em voo cruzeiro.
  • Contratação de um cluster composto por servidores com alto poder de processamento e memória para compilar ou decompilar algumas coisitas 🙂 É muito barato e rápido.

Para todos os casos acima, você ou a sua empresa precisarão de um advogado que entenda e muito bem da arte de ler contratos. Um verdadeiro especialista em premissas e em cláusulas de ônus e bônus.

Aproveitando o ensejo do advogado, eu farei um comentário sobre o artigo do Correio Eletrônico na Nuvem. Concordo com ele, principalmente sobre os aspectos de segurança que deverão ser levados em conta não só na hora da contratação de um serviço de e-mail na nuvem. Mas, isso jamais será uma prerrogativa da não migração, nem mesmo um NOK do jurídico, e vocês sabem por que ? Custo.

São raros os casos em que o jurídico consegue barrar a adoção de um serviço como o Google Business – pagar US$ 50.00 ano por usuário é muito tentador, quase que irresistível, principalmente quando falamos de ambientes com mais de 1000 colaboradores e caixas de e-mail que passam de 100MB de espaço utilizado, cada uma. A não migração para este tipo serviço sempre recairá sobre a criticidade ou não dos dados trafegados via e-mail, e é claro, se a empresa tem caixa para bancar os altos custos em manter um solução própria de correio eletrônico.

Um ponto importante e que vem sendo adotado por diversas empresas quanto ao uso do serviço de e-mail na nuvem é a utilização da assinatura digital e criptografia nos mesmos. Escritórios de advocacia e empresas do mercado financeiro já adotam a criptografia de seus e-mails e anexos para garantir a segurança do que é trafego via internet.

Conclusão

O que tenho dito para muitos amigos e colegas de trabalho é que Cloud Computing é um serviço que atende as necessidades técnicas e financeiras de diversas empresas. Ele não revolucionará o mercado, mas sim, o impulsionará.

 

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Este post tem um comentário

  1. Boa análise, temos nos deparado muito com essas questões todas, o jurídico sempre fica maluco com isso. Do lado técnico tem também a questão de disponibilizar os aplicativos offline. Conheço poucos que fazem isso, o Endomondo é um, e agora acabo de conhecer o http://www.groupcamp.com.br. É uma questão a ser considerada também.

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