Recomeçar em TI, será que vale apena ?

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Este fim de semana estive conversando com o Adilson Florentino e a Márcia, sua esposa, ambos são instrutores de treinamentos Cisco, além de serem excelentes pessoas, sobre a capacidade de alguns profissionais de TI de mudarem de área ou foco. Cito como exemplo um determinado profissional que trabalhe há anos com suporte à banco dados, mas que começou a estudar redes de computadores, tendo como objetivo largar o suporte às banco de dados e passar a suportar roteadores, switches e tudo aquilo que faz parte de uma rede de computadores.

Eu tenho duas considerações quanto a isso:

  • O profissional que fizer essa escolhe deverá ter em conta que jogará fora, neste caso de DBA para analista de redes/Telecom, mais de 60% de tudo aquilo que ele aprendeu nos últimos anos. Já que um DBA, administrador de banco de dados, trabalho muito mais com programação e suporte ao banco de dados do que com roteamento e configurações de um switch, quanto mais saber diferenciar camada 4 da camada 7, ambas do Modelo OSI.
  • Será que esse profissional estará preparado para começar como um analista júnior, no mais, um analista pleno, acarretando assim em um salário menor?.  O conhecimento do mesmo quanto ao suporte de redes de computadores é pouco, além de sua experiência ao suporte de banco de dados, sem falar do salário, é claro.

O profissional que deseja fazer uma mudança de carreira deve ter em mente esses dois pontos acima, pontos esses que acarretam em uma mudança grande do seu dia a dia de trabalho, experiência e salário.

Outrossim, é quando um profissional deseja aumentar o seu leque de conhecimento e consequentemente a sua experiência e empregabilidade. Isso acontece e muito com nós brasileiros, já que cada vez vemos vagas de emprego solicitando profissionais com um conhecimento genérico quanto a diversas tecnologias, sejam focadas a WEB, redes, segurança e até mesmo o suporte de email. Esse conhecimento genérico não quer dizer um salário maior, mas sim aumento da lucratividade das empresas em não precisar contratar um time tão grande para suportar um determinado ambiente, para isso, é só chamar o Coringa, o Batman é coisa de americano e europeu.

E a idade, pesa ? Eu digo hoje que não, isso porque vejo uma série de profissionais beirando os 50 e 60 anos e que estão com uma alta produtividade e capacidade de absorver conhecimento e apresentar resultado. É claro que não podemos comparar o gás de um profissional de vinte e poucos anos com profissionais de mais de 47 anos, mas os profissionais mais velhos levam uma grande vantagem, experiência, e essa vantagem em ambientes grandes é críticos gera economias quanto a multas. Ninguém gosta de pagar multas, quanto mais empresas de prestação de serviços.

Porém isso não é uma realidade na maioria das empresas e nem dos profissionais, e um dos motivos e a nossa querida e amada CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), criada pelo presidente da República, Getúlio Vargas, na década de 40. Imaginem um profissional que trabalha a mais de 20 anos em uma determinada empresa, regido pela CLT, se ele pedir demissão do seu emprego, terá que abrir mão de 40% de multa sobre o FGTS que deixará de receber, além de outras multas e encargos que o seu ex-empregador deixará, e muito feliz, de pagar. Isso pesa em muito, tanto na hora que um profissional com esse tempo de casa recebe uma proposta de emprego, como também uma determinada empresa resolve fazer à velha e conhecida lista de demissões, vulgarmente conhecida como sopão.

Vejam que daqui a 20 anos, teremos uma população muito maior de idosos em comparação a população de jovens, eu por exemplo, já estarei com 50 anos de idade e não me vejo fora do mercado de TI, ainda. Empresas como a BMW, já se preocupam com isso, criando condições mais favoráveis de trabalho para os seus funcionários mais velhos, com cadeiras e posições  mais confortáveis e facilidade de locomoção. Essas alterações demonstraram um ganho de produtividade superior a 7% em comparação com a produtividade de jovens de seus vinte e poucos anos.

Em resumo, digo que TI é uma das poucas áreas que depois de 10 anos trabalhando chutando o hardware você pode mudar e passar a xingar o software.
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COMENTÁRIOS

5 comentários em “Recomeçar em TI, será que vale apena ?

  1. Fabio Mazanatti

    Realmente, essa mudança de foco impactará vários aspectos da vida do profissional, mas não entendo que tenha obrigatoriamente que mexer no aspecto financeiro. Em teoria, o salário acertado com o profissional considera dois pontos: sua experiência e seu potencial.
    A empresa, então, está pagando pelo que ele *já* sabe (e aí entra background consolidado, repasse de conhecimento e aplicação disso tudo em situações futuras) e também pelo seu potencial de aprender, estando ou não em sua área de conforto.

    Já tive oportunidade de mudar de foco, de desenvolvimento para infra-estrutura, sempre no contexto de aplicações J2EE e relacionados, mas em nenhum momento pensei em diminuir meu salário, nem a possível contratante.
    Tudo bem, não é uma mudança tal radical quanto a do exemplo, mas será que esse cenário dado acontece, considerando o investimento que o cara fez pra tornar-se DBA? Mesmo que aconteça, as duas linhas de conhecimento poderiam ser “vendidas” como tendo valor agregado, melhorando o salário do cidadão 😉

  2. Kalau

    Outro ótimo POST, trabalho na área a pouco tempo, 5 anos, formei em sistemas de informação em 2008 e tenho 24 anos… mas sempre trabalhei com suporte, fiz uma pós em redes e uma de gestão de infra de TI com software livre, tirei meu CCNA ano passado e completo meu CCNP esse mês… o que vejo aqui em BH MG onde moro e trabalho é um mercado de TI prostituido, com pessoas com boa experiencia e curriculo ganhando abaixo de 2000, um salário considerado ótimo aqui é 3000… uma pena… já pensei em mudar de área… mas gosto do que faço…. espero que melhore por aqui ou então pretendo mudar para SP…. nem que seja pra passar alguns meses e ver se consigo alguma coisa melhor…. é isso ai….

  3. Gustavo Lima

    Mas Maza, no caso eu vejo que WEB é uma área que permite essa alteração de foco, já que infra-estrutura, no caso suporte à servidores WEB (Application servers) e desenvolvimento andam de mãos dadas. Porém, no caso de um DBA passar a suportar uma rede composta por switches e roteadores Cisco, vejo que é um desafio e dos grandes. O nível de conhecimento que este profissional terá que aprender é bem grande. Não estou jogando o background dele fora, mas sim colocando algumas considerações quanto a resolução de problemas do dia a dia de um profissional de redes mais avançados, problemas estes que serão resolvidos pela experiência. Um detalhe importante: cada um é um indivíduo, tendo os seus obstáculos superados. Já sitei um exemplo em algumas conversas de um profissional de redes, o qual conheci que não sabia nada de banco de dados e foi remanejado por erro do RH, além de tudo, o cara não fala inglês e foi enviado para um projeto nos EUA. Chegando nos EUA, ele conversou com o líder do projeto e pediu 3 meses para estudar, tanto inglês quanto suporte à banco de dados. No final destes 3 meses, ele se tornou um DBA, pleno, mas um DBA, além de falar muito bem inglês. Em resumo, dependeu 80% dele e 20% do líder dele, que acreditou no cara. O salário não foi alterado neste caso, mas e outros casos, ai eu pergunto. Eu sempre acreditei que qualquer um pode mudar o seu destino, mas em alguns casos, ele terá que pagar um preço, e se o preço for um bom salário ?

  4. Fabio Mazanatti

    Existem casos e casos, mas de modo geral, acho que o profissional não deve abrir mão do salário já conquistado, justamente pela bagagem que traz.

    Seu post de hoje explica meu raciocínio: “você sempre aprende alguma coisa diferente, seja ela boa ou ruim, mas que vai gerar uma coisa muito importante, experiência”. O foco da frase são as empresas, mas entendo que aplica-se nesse contexto também.

    E ir de desenvolvimento pra infra, mesmo que de um mesmo produto, é bastante difícil, se o objetivo for fazer um bom trabalho. E isso digo por experiência própria 🙂

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