Desde da compra da Sun e da BEA pela Oracle vários analistas de mercado, profissionais de TI e evangelistas JAVA temiam sobre o poder e as decisões que a Oracle iria ter no  JCP – The Java Community Process, comitê formado por uma série de empresas e pessoas que juntas definem os padrões e homologam produtos e plataformas para o mundo JAVA via Java Specification Requests (JSRs), acontece que a Oracle recebeu um mega hiper blaster upgrade de poderes, comprando o criador você vira o dono da criatura.

Mas o mundo opensource com a sua mente benevolente não sabia se a gigante carreira Oracle iria lançar os seus poderes sobre o JCP ou não, inocentes né?!.

Acontece que logo que a Oracle adquiriu a SUN, várias mudanças foram feitas quanto ao licenciamento do JAVA e muita coisa não ficou definida de forma clara. A Apache Fundation tinha enviado um aviso formal quanto a essas pendências e disse naquela época que se nada fosse feito ou oficializado, ela entregaria a sua cadeira na JCP.

Nada foi feito e a Apache Foundation entregou a sua cadeira no mês de Dezembro baseada nos seguintes pontos:

  • que o JCP não é um processo de especificação aberta,
  • que as especificações do Java são tecnologias proprietárias que precisam ser licenciadas do líder do processo sob os termos que este definir,
  • que as preocupações comerciais de uma única entidade (a Oracle) vão continuar a interferir na transparência e governança deste ecossistema, e
  • que não é possível distribuir implementações independentes das JSRs sob licenças de código aberto de uma forma em que seus usuários estejam protegidos de litigância de propriedade intelectual por parte dos membros e da Oracle.

A Apache Foundation possui uma série de produtos e soluções homologadas pela JCP. Saindo da Comitê a Apache Foundation terá problemas com os seus novos produtos ? A Oracle vai criar algum obstáculo chegando a cobrar royalties para utilizar alguma especificação JEE ?

Essas são algumas das perguntas que vêm a mente neste primeiro momento, mas não seria nenhuma surpresa se a Oracle começasse a cobrar por isso.Vamos esperar pelas cenas dos próximos capítulos.

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Este post tem 9 comentários

  1. Enquanto a Sun ainda era dona, ela colocou o java sobre a licença GPLv2, para utilização em ambientes de servidores e desktops.

    A Oracle pode revogar essa ação?

    Att, Victor

  2. Não sei se a Oracle é dona dos copyrights de toda a base do OpenJDK, mas se for então ela pode sim, os donos dos direitos autorais podem mudar a licença se quiserem.

    Mas pelo que eu li o problema não é esse e parece que já vem desde antes da Oracle comprar a Sun.

  3. é a mesma dúvida que eu tenho..

  4. Se existe essa possibilidade( não apenas focalizando a oracle,mas todas as outras empresas) então basicamente o mundo open source está sob um teto de vidro.

    Imaginem agora que todo uma insfra-estrutura foi construida sobre uma plataforma livre,cedida por uma organização com afinidade ao open source e que de repentente essa empresaé vendida e esse ativo intelectual passa para mãos não tão amigáveis, e essas mãos comece a endurecer o jogo(mudando licenças, cobrando royalites, processando meio mundo). Imaginem o impacto que isso poderia causar.

    Eu pensei que as licenças open source(GPLv2,etc..) funcionassem como uma transferência de direitos definitivos, o que resguardariam contra mudanças no futuro.

    Att, Victor

  5. Nossa, fui dar uma olhada na net antes de sair e encontro um comentário, bem vamos lá.

    Então, o código já liberado sob a GPL permanesse sob a mesma licença, a mudança de licença de distribuição a versão anteriores não é retroativa a versões anteriores da mudança e você pode realizar um fork, como aconteceu no passado com o caso do Nessus e o OpenVAS e dos já existentes forks do MySQL caso a Oracle decida parar de financiar o desenvolvimento do produto. Mas se o código de fato mudasse de licença o maior problema seria que a maioria dos desenvolvedores da OpenJDK são funcionários da Oracle.

    Por muitas vezes na maioria dos projetos não há apenas um detentor do copyright, mas vários, no geral o que se pede é que mantenha a mesma licença para mandar patches e você pode ficar com o copyright, pra mudar a licença você tem de pedir a todos esses que aceitem a mudança para a nova, algumas organizações pedem pra o copyright ser revertido a uma única fundação, se não me engano é o caso da FSF, do projeto FreeBSD, da Apache Software Foudation (ASF) e creio que da Red Hat que tenta sempre colocar código disponível via a Fedora Foundation, mas esses não tem nenhum interesse em fechar o código.

    O problema que você julga existir na comunidade Open Source na verdade se deve as leis de direito autoral, e no entendimento de que software, por ser obra com direito autoral, deve ser licenciado.

    A empresa, pode se quiser colocar termos draconianos na sua EULA, por vezes termos estúpidos aparecem em algumas licenças (quando você instala o iTunes, por exemplo, está concordando em não usa-lo para desenvolver armas nucleares!) esse tipo de coisa, você como não dono do direito autoral ou concorda com os termos de uso e distribuição ou não usa, no mundo open source uma vantagem é que não há termos de uso, apenas termos de distribuição. Mas essa é outra discussão.

    A briga da Apache é outra, aparentemente o que sempre faltou foi transparência no desenvolvimento do Java, isso já na época da Sun, na época o Stallman escreveu um artigo muito comentado chamado “The Java Trap”. Em 2007 teve uma briga onde o JVM da ASF, o Apache Harmony, não tinha permissão para rodar contra uma série de testes e determinar se ele era um JVM que atendia as especificações impostas pela Sun para que alguém fizesse uma implementação independente do Java, justamente porque a EULA dos testes eram muito restritivas.

  6. Lendo bem vi que o português ficou meio ruim, na parte que está:

    “a versão anteriores não é retroativa a versões anteriores da mudança”

    leia-se

    “a versão anteriores não é retroativa”

  7. Ricardo, o mesmo importante é a sua participação e o entendimento do que vc escreveu.. muito obrigado pelo seu ponto de vista, isso faz o blog ter esse lado cooperativo e colaborador.. Ele é feito por vc`s.

  8. Acho que entendi.

    Obrigado pelo esclarecimento.

    Att, Victor

  9. Eu vejo essas notícias sobre “O fim do java” da mesma forma como leio notícias sobre o fim do mundo. (risos).

    Vejam esse link:
    http://blog.caelum.com.br/2010/12/13/javaone-brasil-2010-eu-fui/#caelum

    Obviamente, por essas e outros milhões de dólares investidos por grandes empresas é que o JAVA não vai deixar de existir tão cedo. (veja o COBOL, está aí até hoje…e quem pode dizer que ele acabou?)

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