Muitos jovens que terminaram o segundo grau ou colegial e desejam trabalhar com tecnologia da informação possuem uma dúvida na cabeça: trabalhar com suporte a hardware e software ou trabalhar com desenvolvimento ?

A resposta a essa questão é pessoal, cada um deverá trilhar o seu caminho, mas como trilhar esse caminho sem saber exatamente o que você vai fazer em TI ? Não existe teste vocacional para as áreas de TI e nem uma orientação clara por parte das escolas e universidades no Brasil.

Um ponto que ajuda em muito são os 2 primeiros semestres de cursos de curta duração, com média de 2,5 anos de duração, que darão o título de tecnólogo. Nestes 2 primeiros semestres de cursos de curta duração como redes de computadores, os alunos têm acesso à lógica de programação, segurança da informação e redes de computadores. Já tendo noções do dia a dia de profissionais dessas áreas.

Caso o aluno deseje focar em desenvolvimento, ele pode solicitar alteração para um curso com esse foco. Percebem que os cursos de curta duração possuem preços em muitos casos mais acessíveis do que os cursos de graduação de 5 anos. A escolha entre um curso de curta duração ou graduação normal (5anos) vai depender de um grande fator: a condição financeira do aluno e de sua família no momento da escolha da faculdade. Faculdades públicas também geram gastos, onde em alguns casos são muito elevados, já que os estudantes são obrigados a mudar de cidade e serem sustentados por períodos de mais de 2 anos pelos pais. Mas não vamos entrar no mérito de qual é a melhor ou pior faculdade, ou qual é o pior ou o melhor curso, o importante é ajudar o jovem a escolher o curso de graduação mais adequado e ir atrás uma boa carreira.

A economia feita quanto aos valores das mensalidades de um curso de curta duração pode ser revertida para cursos de especialização ou certificações da área que o aluno deseja trabalhar. Temos como exemplo os cursos para certificação de arquitetura JAVA da SUN que chegam a R$8.500,00. No caso de redes, os cursos para formação oficial de um CCNP, nível profissional de suporte aos equipamentos Cisco, pode chegar a R$16.000,00, incluindo as provas de certificação. Caso a pessoa deseje trilhar o suporte a ferramentas de ERP como SAP, analista funcional, um curso na academia SAP custa R$ 8400,00. Todos os valores aqui citados são para SP capital.

Mas e a empregabilidade, qual destas áreas contratam mais e rapidamente ?
Hoje sem sobre de dúvidas é a área de desenvolvimento JAVA e demais linguagens de programação voltadas a Web. Vejam como exemplo as vagas ofertadas no site www.apinfo.com, mais de 70% das vagas ofertas são focadas no desenvolvimento de alguma linguagem de programação.

A experiência para qualquer carreira em TI conta em muito, mas existem diferenças gritantes, onde há casos de profissionais que trabalharam mais de 7 anos em uma mesma empresa de suporte a roteadores, mas que a sua experiência de troublehooting(resolução de problemas) é muito menor se comparada a um profissional que trabalhou 2 anos em uma empresa de consultoria que é focada em suporte a equipamentos Cisco para empresas de telecomunicações. A exposição a problemas diferentes a cada hora do profissional com 2 anos de experiência é muito maior. Essa constatação é tamanha  já que participei de entrevistas onde o gerente ou diretor me perguntava: ” e o seu dia à dia, como é ? com quais tipos de problemas  você se deparou e qual nível de problemas ? quando você não sabe uma solução, o que você faz a respeito ?”. Esses tipos de perguntas são muito relacionados ao raciocínio de um diretor que eu tive, onde a diferença entre um analista junior, pleno e sênior está no tempo em que ele levará para resolver um determinado problema, o sênior leva menos tempo que os demais analistas, mas por um preço maior, é claro.

Informática já é comparada a medicina, onde o bom profissional nunca deixa de estudar e se aprimorar, também pudera: – a cada 2 anos temos uma nova versão de sistema operacional, equipamento de redes ou linguagem de programação, dai a afirmação que o profissional de TI não pode ser dar ao luxo de ficar parado por mais de 2 anos, caso contrário, ele estará completamente desatualizado. Porém existem algumas exceções, como o caso das linguagens de programação voltadas a mainframe, como o Cobol, além é claro do suporte a esses grandes servidores já que os profissionais que o faziam estão se aposentando. Alguém precisa suportar este ambiente, onde isso é levado tanto a sério que a IBM há no ano passado lançou uma academia de mainframe para jovens universitários com objetivo de preparar novos profissionais para essa tecnologia que possui décadas de existência.

Há 6 anos venho percebendo que profissionais da área de infraestrutura são obrigados a estudar mais que os profissionais da área de desenvolvimento, devido às constantes mudanças e lançamentos de novos equipamentos. Exemplo é a Cisco que lançou há pouco tempo uma nova série de certificações além de atualizar uma grande parte delas.  Mas isso é uma questão de mercado já que alguns dos maiores gargalos de TI estão focados em infraestrutura atualmente, vejam, por exemplo, os massivos investimentos em infraestrutura, virtualização e Cloud Computing. Não se enganem quanto à contratação de profissionais de suporte as tecnologias citadas a pouco, já que cada vez mais datacenters e suas infraestruturas estão passando por um processo de centralização, o oposto do processo sofrido na década de 90, tendo assim uma diminuição drástica na quantidade de administradores suportando ambientes. Hoje já falamos de um administrador para suportar 80 servidores, onde há 5 anos atrás falávamos de um administrador para suportar 25 servidores.

Já o trabalho de desenvolvedores está diretamente relacionado ao período de projetos quanto à criação de um novo software, aplicação ou plataforma. Não temos um time desenvolvimento de mais de 30 pessoas por um período de 1 ano dedicado ao mesmo projeto, isso é raro hoje em dia, já que projetos de desenvolvimento são vendidos por hora. Sendo assim, o desenvolvedor deverá trabalhar em uma empresa ou fábrica de software (software factory) que tenha a capacidade de desenvolver vários projetos, dando assim sobre-vida empregatícia a esse profissional.

fonte: esse post surgiu de um almoço com três grandes caras, Mazanatii, Elder e Diego.

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Este post tem 2 comentários

  1. Gustavo,

    Sim, você tinha razão, gostei muito do seu blog! A linguagem é clara e objetiva, como tem que ser. Parabéns!

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